Visitantes que passarem pelo centro de Brasília durante as atividades do 8º Fórum Mundial da Água, que ocorre de 18 a 23 de março, terão a oportunidade de conhecer a Escola da Natureza, no Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek.

Unidade de referência em educação ambiental da rede pública de ensino, o espaço, de cerca de 5 mil metros quadrados de área verde, estará aberta ao público em geral de segunda a sexta-feira (19 a 23), das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas.

Lá, é possível ver o funcionamento de tecnologias sociais como composteira, hortas, sistema agroflorestal, bacia de evapotranspiração —modelo sustentável para tratar do esgoto sem gastar água — e banheiro seco (tecnologia ecológica para os dejetos).

Além disso, os visitantes poderão ver o trabalho de estudantes como Renato de Landim, de 12 anos. No painel com tema Árvores, Protetoras da Água, o desenho do menino mostra um planeta Terra com aparência triste.

“Ela (a Terra) está assim porque está sendo desmatada”, constata o aluno do 7º ano do Centro de Ensino Fundamental 2 de Brasília.

“Vemos a água como tema transversal, responsável pela mudança de atitude nas crianças”Renata Potolski Lafetá, diretora da Escola da Natureza

A solução, de acordo com o morador do Lago Oeste, está ao alcance de todos. “Temos que economizar e reutilizar a água. O banho tem que ser rápido e temos que cuidar para a torneira não ficar aberta na hora de escovar os dentes”, ensina.

Como parte dos preparativos para o evento, os estudantes da Escola da Natureza fazem oficinas sobre os recursos hídricos e falam da importância de preservá-los.

“Vemos a água como tema transversal, responsável pela mudança de atitude nas crianças”, explica a diretora da unidade, Renata Potolski Lafetá.

Modelo será apresentado na Vila Cidadã

A educadora trabalha a temática para apresentar o modelo educacional, em 17 e 18 de março, na Vila Cidadã, que ficará no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

Ela e outros cinco professores do quadro mostrarão o modelo por meio de material audiovisual a ser produzido nos próximos dias. “Vamos apresentar a escola sob a temática do fórum. Como trabalhamos a questão ambiental, a água é estudada em todos os aspectos.”

Lições sobre o reuso e o envolvimento com as plantas na estufa são atividades preferidas de Tais Gomes Araújo, de 12 anos, aluna do 7º ano do CEF 2 de Brasília.

“Gosto de ver as mudas que plantamos crescerem e de ver o desenvolvimento do trabalho das outras escolas também”, conta a moradora do Jardim ABC (GO), no Entorno do DF.

“Eles vão aprender muito com nossos projetos. Aqui, temos o que ensinar”Tais Gomes Araújo, aluna da rede pública do DF

Ao saber que a escola será apresentada em um evento internacional sobre água, a menina não hesita: “Eles vão aprender muito com nossos projetos, porque aqui temos o que ensinar.”

A apresentação terá foco no fenômeno conhecido como rios voadores, que trata dos cursos hídricos atmosféricos que passam com as correntes de ar, por cima de nossas cabeças.

A diretora explica que a umidade vinda da Amazônia é responsável por boa parte das chuvas no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil. “Assim, temos outra dimensão de como o desmatamento está diretamente relacionado com a diminuição das chuvas em todo o País”, alerta.

O conhecimento sobre as correntes atmosféricas chegou à escola por meio de parceria com o projeto Expedição Rios Voadores, do governo federal. Com ele, foi feito um trabalho de formação na Escola da Natureza em 2014.

O estande da escola terá ainda bambuterapia, em que os participantes serão convidados a se alongar, respirar e parar um pouco. “Vamos lembrá-los de que o corpo humano é composto 75% de água”, reforça Renata.

Escola da Natureza atende 500 crianças em 2018

Criada em 1996 com o objetivo de envolver a comunidade escolar da rede pública de ensino com as questões ambientais, a Escola da Natureza é o Centro de Referência em Educação Ambiental da Secretaria de Educação.

A unidade, vinculada à Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto, atende 500 crianças semanalmente, no contraturno do horário escolar.

Em 2018, passam pela escola estudantes dos anos finais do ensino fundamental do CEF 2 de Brasília, CEF 1 do Cruzeiro e CEF Athos Bulcão, também no Cruzeiro, além daqueles dos anos iniciais da Escola Classe do Varjão.

A capacidade do local é de 75 estudantes por período, ou 150 por dia. Os horários de atendimento são das 8 horas ao meio-dia, no matutino, e das 14 às 18 horas, no vespertino.


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